domingo, 19 de julho de 2015

O REENCONTRO




Nesse momento parece que eu estou prestes a conhecer alguém que ainda não conheço. Alguém que sempre esteve comigo, mas que eu sempre fiz questão de ignorar, fingir não conhecer, não dar importância. Alguém que grita e pede ajuda. Pede socorro, pede pra ser ouvida, considerada, amada.
Esse alguém está preso dentro de uma sala escura e sabe que há um mundo lá do outro lado da porta, mas precisa que alguém abra essa porta. E só eu posso fazer isso.
Abrir essa porta é o que eu mais quero, mas não sei como. Não encontro a chave. Não sei o segredo do cadeado e às vezes entro em desespero e, é aquela pessoa presa e sofrida, que diz que eu preciso me acalmar, pois tudo tem um tempo e, o tempo certo de abrir esse cadeado, ainda não chegou.
O dia que essa pessoa sair dessa sala escura ela estará fraca, com medo, precisando se reabilitar. Já tenho conseguido ajudá-la nesse processo. Já mostrei a luz, já passei escutá-la, já sei que sem essa pessoa eu não sei viver (agora ela já sabe disso... é importante para seu equilíbrio). Sem essa pessoa bem e caminhando comigo, não serei feliz.
Esse processo da busca da chave para tentar libertá-la me atordoa, me preocupa, mas é o que eu mais desejo nesse momento. Esse encontro. Ou reencontro?
Essa procura da chave tem feito uma zona na casa. Tem criado sons desconhecidos. Tem me deixado exausta. Tem incomodado os vizinhos.
O dia que ela finalmente conseguir sair dessa sala onde algumas frestas já permitem que a luz chegue, muitas estruturas serão mexidas. Muita coisa precisará ser reorganizada, mas não tenho dúvidas que serei mais, muito mais, feliz.
Essa pessoa que preciso libertar sou EU. Ou um lado meu que nem eu conheço bem, que nunca dei ouvidos e que sempre ignorei.  Mas tem feito falta e não permite com que eu me sinta plena. Durante muito tempo precisei me apoiar em defeitos e/ ou qualidades para manter o equilíbrio. Para me defender dos meus medos e traumas. Para que eu pudesse caminhar.
Hoje entendo que essa é parte fundamental do meu eu, que não pode nem deve ser ignorado, que merece ser ouvido, amado, encorajado e até mesmo enfrentado. Hoje entendo que a minha plenitude como ser, só chegará, quando finalmente, eu conseguir libertar essa “pessoa” (que sou eu).
Durante os últimos anos tive que me desconstruir quase que por inteiro. Tive que me reinventar, me perder e me achar. Tem sido duro, mas tem valido a pena. Sei que essa busca minha pela plenitude nunca chegará ao fim, mas entendo que só quando eu me sentir completa e totalmente reconstruída e renovada, estarei pronta para viver tudo àquilo que eu e, essa parte de mim que está presa aguardando para se libertar, planejamos juntas para o nosso amanhã.  
Que esse dia chegue logo!

"Não importa o que fizeram de mim. O que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim".

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